Abilio cobra vereadores e denuncia rombo de R$ 50 milhões em consignados: ‘onde estavam quando saquearam o servidor?’

O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), apresentou nesta segunda-feira (14), na Câmara Municipal, um relatório detalhado sobre a situação financeira crítica deixada pela gestão anterior de Emanuel Pinheiro (MDB). Durante sua fala, Abilio destacou especialmente as dívidas referentes aos empréstimos consignados descontados dos salários dos servidores, mas não repassados aos bancos — o que, segundo ele, configura apropriação indevida de recursos.

“Qual vereador aqui defendeu o servidor quando isso aconteceu? O salário foi descontado e o dinheiro não chegou ao banco. Isso é crime. E quem paga agora os juros? Quem cobre esse prejuízo ao erário?”, questionou o prefeito, ao apresentar os números que embasaram o decreto de calamidade financeira já revogado pela atual administração.

De acordo com Abilio, a dívida relacionada aos consignados ultrapassa R$ 50 milhões. Caso seja renegociada, ela ainda acarretará mais encargos, onerando ainda mais os cofres da prefeitura.

“Essa foi uma bomba-relógio montada por uma gestão irresponsável, com o silêncio cúmplice de muitos nesta Casa de Leis”, disparou.

Mais dívidas e orçamento subestimado

O relatório aponta que a dívida de curto prazo da prefeitura supera R$ 2,4 bilhões, sendo R$ 775 milhões apenas em precatórios. Segundo o prefeito, apenas essa obrigação já exigiria cerca de R$ 153 milhões por ano, mas a Lei Orçamentária de 2025 prevê apenas R$ 24 milhões para esse pagamento.

“O que faremos com os outros R$ 120 milhões que faltam? A conta não fecha. Herdamos uma gestão sem planejamento e que ignorou os alertas financeiros”, afirmou Abilio.

Transporte coletivo

Outro ponto crítico destacado pelo prefeito é o custo real do transporte coletivo. De acordo com ele, a tarifa técnica por passageiro chega a R$ 11,60, sendo que a população paga apenas R$ 4,95, graças ao subsídio da prefeitura.

“Cada gratuidade — como para estudantes e idosos — é bancada integralmente pelo município. O impacto disso nos cofres públicos chega a R$ 210 milhões por ano”, detalhou.

Saldo negativo

O prefeito encerrou a apresentação comparando a situação herdada com a que foi deixada por Emanuel Pinheiro. Enquanto o ex-prefeito assumiu com R$ 113 milhões em caixa, Abilio afirma ter encontrado um saldo negativo de R$ 1,15 bilhão.

“Essa é a realidade de Cuiabá hoje. Vamos trabalhar com transparência para recuperar a cidade, mas é fundamental que todos — inclusive esta Casa — assumam suas responsabilidades diante do que foi negligenciado”, concluiu.

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