Com a entrada em vigor do tarifaço de 50% imposto pelos Estados Unidos a partir de 6 de agosto, setores estratégicos do agronegócio brasileiro, como carnes, café e pescados, pedem ação imediata do governo federal. A medida, determinada pela administração Trump, impacta diretamente as exportações nacionais e ameaça milhares de empregos.
Indústrias do café, por exemplo, já sentem os efeitos: o produto, antes taxado em 10%, agora será tributado em 50%. O Brasil, maior fornecedor de café aos EUA com 34% de participação, exportou 8 milhões de sacas ao país no ano passado. “Não há como substituir o café brasileiro no curto prazo”, destacou Heron do setor cafeeiro, reforçando que nem mesmo a Colômbia teria capacidade produtiva para suprir essa lacuna.
Na indústria da pesca, o alerta é máximo. Eduardo Lobo, presidente da Abipesca, afirmou que o setor já suspendeu exportações e solicitou ao governo federal uma linha emergencial de crédito de R\$ 900 milhões. Sem retorno até o momento, Lobo advertiu que demissões em massa começarão em até oito dias, com mil cortes a cada quinzena. Cerca de 25 mil trabalhadores dependem diretamente do setor, principalmente no Nordeste.
Os Estados Unidos são o destino de até 80% das exportações brasileiras de pescado, com destaque para a tilápia, da qual os americanos compram 95% da produção destinada ao exterior. A União Europeia, por outro lado, mantém seu mercado fechado desde 2017, devido a exigências sanitárias.
No setor de carnes, a situação é crítica. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) estima queda de até 47% nas vendas de carne bovina para os EUA. Mesmo antes da tarifa de 50% entrar em vigor, as exportações despencaram: de 47,8 mil toneladas em abril para apenas 9,7 mil toneladas neste mês — uma queda de 80%.
A Marfrig, uma das maiores empresas do ramo, paralisou sua produção destinada ao mercado norte-americano na planta de Várzea Grande (MT) desde 17 de julho, alegando motivos comerciais.
Apesar da queda nas exportações, os preços pagos pelos americanos pela carne brasileira subiram, passando de US\$ 5.200 por tonelada em abril para US\$ 5.850 nesta semana, uma alta de 12%.
A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) cobrou uma resposta diplomática enérgica do governo brasileiro, destacando que as tarifas impactam não apenas o agro, mas também a taxa de câmbio e o custo dos insumos importados. A FPA defende cautela, articulação estratégica e uma presença ativa do Brasil nas negociações internacionais.
Enquanto isso, o setor segue em compasso de espera, aguardando medidas emergenciais do governo para evitar um colapso com fechamento de empresas e milhares de desempregados.